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sábado, 13 de fevereiro de 2010

As cores do prazer

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Num tapete de folhas.

As cores do prazer!

Sensações de cores brilhantes
Transformadas em cama de prazer
Podem ser flores, amores perfeitos…
Flores do campo
De plumas ou de espuma
O importante mesmo, é sentir.
A melodia do amor
No silêncio… uma vela acesa,
Exala um perfume de jasmim
Pinceladas do prazer
Que é para se cuidar
Com muito carinho.


~~~~~~


Nos meus sonhos, vejo-te voluptuosa,
Te aproximando felinamente de mim,
Como a ligeireza de uma pluma tu beijas,
Meus lábios depositando um suave beijado molhado.
Devagar fazes ondular o teu corpo,
Como uma serpente contra mim,
Tu me envolves no teu aperto quente
O cheiro do teu ser me maravilha de desejos,
Os mais imaginários, venho acaricio-o
De mil maneiras sobre a tua suave pele,
Tomo-o como um padrão impetuoso e fogoso,
Minhas carícias se deslizam,
Numa doçura danada ao mais inocente,
Há prazeres mais secretos. Nos tabus que voam,
Perante o desejo amoroso.
E este sonho não cessa! Não cessa, não cessa,
Não cessa, não cessa.


Mena e Manuel Poéte



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A arte de ser feliz  

Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz.

Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. 

Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. 

Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. 

Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse.

E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz. 

Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. 

Outras vezes encontro nuvens espessas. 

Avisto crianças que vão para a escola. 

Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. 

Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar.Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. 

Ás vezes, um galo canta. 

Às vezes, um avião passa. 

Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. 

E eu me sinto completamente feliz

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, 

uns dizem que essas coisas não existem, 

outros que só existem diante das minhas janelas, 

e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.


Cecília Meireles